A Alma católica dos evangélicos no Brasil
Augustus Nicodemus traça um paralelo entre
os católicos e os evangélicos, em seu artigo com o mesmo título desta resenha.
Ele mostra como os católicos influenciaram os evangélicos brasileiros e como
formaram a maneira deles ver o mundo.
Também afirma que a conversão, é uma
mudança espiritual e moral e que não é obrigatoriamente uma mudança de visão
mundial.
Cita como exemplo o caso dos crentes de Corinto(Bíblia), que foram
santificados e justificados em nome do senhor Jesus Cristo, mas ainda não
mudaram sua mentalidade completamente.
Mostra que da mesma forma os evangélicos
tem a alma católica e faz questão de ressaltar que, isso são inclinações da
nossa natureza pecadora, não uma característica apenas católica. Quais são
essas características?
A primeira é o gosto por clérigos. Que é a
separação entre clérigos e leigos que alimentam uma veneração. O que se observa
no meio evangélico é o apego aos pastores, bispos e apóstolos autonomeados e
que mesmo após a reforma do sacerdócio universal dos crentes e a abolição da
separação entre clérigos e leigos, ainda há essa herança católica nos evangélicos.
A segunda é a ideia de que só os pastores tem acesso a Deus. De acordo
com ele o que acontece no catolicismo é que os sacerdotes são vistos como os
mediadores entre Deus o os homens, são eles quem transforma o pão e o vinho em
corpo e sangue de Cristo. Também são eles que ouvem e perdoam os pecados e que
isso passou para os evangélicos, alguns crentes acham que a oração do pastor é
mais forte que a sua, como se só eles tivessem o contato direto com Deus. O que
ele observa em algumas igrejas é o surgimento de coisas como: “a oração dos 318
homens de Deus”, ”a prece poderosa do bispo tal”, etc.
A terceira
característica é o apego a objetos sagrados. O que de acordo com a ótica dele é Influenciado
pelas religiões afro-brasileiras. Ele afirma que o catolicismo espalhou o
misticismo e a superstição nos brasileiros, com coisas como: milagres de
santos, aparições de Cristo e Maria, água benta, e outros. Ele também observa
que no meio evangélico aumenta o numero de itens místicos como: copo d’água,
rosa ungida, pulseiras, água do Jordão... É uma lista sem fim e sem limites da
imaginação dos líderes e da credulidade do povo por um gosto místico impresso
na alma dos evangélicos.
A quarta característica é a separação entre
sagrado e secular, onde Nicodemus diz que desde Tomás de Aquino a igreja
católica adota a diferença entre: sagrado (vida na igreja) e secular (vida fora
da igreja). Que ele observa que os católicos tem a mesma atitude dos
evangélicos, que falta ter uma mentalidade que una a fé ás demais áreas da vida
de acordo com a visão bíblica de que tudo é sagrado.
E a quinta e ultima
característica é que somente pecados sexuais são realmente graves. Ele relata
que a separação feita pelos católicos de pecados mortais e veniais ainda estão vivas
dentro da alma dos evangélicos. Os pecados mortais privam a alma da graça e os
veniais merecem castigos apenas temporais. Dessa forma se aceita mentiras,
maledicências, enquanto adultério é imperdoável.
A conclusão dele é que o que
mais lhe surpreende é que os evangélicos do Brasil estão entre os mais
anticatólicos do mundo e se concentraram apenas em questões como: Maria e de
parar de fumar e não atentam para fazer uma analise mais crítica e completa de
outros pontos.
Atribui também o noepentecostalismo brasileiro como sendo um
filho da igreja católica medieval, onde os evangélicos têm alma católica e que
essa pratica de forma indireta foi criada pelo catolicismo.
Apesar de ser formado em teologia pelo Seminário Presbiteriano do norte, de Recife, de ser mestre em novo testamento pela Universidade Reformada de Potchefstroom (África do Sul), doutor em interpretação bíblica pelo Seminário Teológico de Westminster (EUA), com estudos no Seminário Reformado de Kampen (Holanda). De ter sido professor e diretor do Seminário Presbiteriano do Norte (1985-1991), professor de exegese do Seminário José Manuel da Conceição (JMC) em São Paulo, professor de novo testamento do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (1995-2001), pastor da Primeira Igreja Presbiteriana do Recife (1989-1991) e pastor da Igreja Evangélica Suíça de São Paulo (1995-2001). Atualmente ser pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de santo Amaro, em São Paulo, SP, Augustus
Nicodemus neste artigo relata de uma forma crítica os modos de como os
evangélicos tratam de assuntos específicos, por ele citados, para poder avaliar
o quanto os evangélicos brasileiros estão ligados aos católicos. Com uma ideia
de que os evangélicos tem que mudar a maneira de ver o mundo, ele se esquece de
um texto do evangelho onde o autor adverte que para podermos tirar o argueiro
no olho do nosso irmão é preciso primeiro enxergar a trave que há na frente do
nosso, portanto devemos em primeiro lugar olharmos para nós mesmos a fim de
vermos onde estamos errando e só assim poderemos ajudar o nosso irmão.
O que
ele faz durante todo o artigo é tentar atribuir o erro dos evangélicos ao erro dos
católicos, como se os católicos fossem responsáveis pelos evangélicos.
No
primeiro ponto o problema está relacionado diretamente à autoestima baixa dos
evangélicos o que ele aponta como causa a separação entre clérigos e leigos
feitos pelos católicos.
O segundo ponto está relacionado falta de comunhão
entre o próprio evangélico e Deus.
No terceiro é simplesmente um anseio humano
de que para crer em algo é preciso tocá-lo. O que fez Tomé quando viu a Jesus
depois de ressuscitado, foi preciso tocar nas suas chagas para poder acreditar
que era ele.
O quarto ponto é diretamente ligado à falta de informação. O que
os evangélicos mais experientes deveriam se aproximar mais dos novos
convertidos a fim de ajuda-los a lhe dar com a sua nova natureza.
O ultimo
ponto é uma falha ligada ao preconceito das pessoas de acharem que os seus pecados
são mais aceitáveis que os dos outros e que podemos também atribuir aos líderes
das igrejas evangélicas que por muitas vezes cultivam também esse preconceito.
De maneira geral todos os pontos citados por Nicodemus apresentam um problema
diretamente ligado ao próprio evangélico, concordo que esses pontos estão em
todas as igrejas, mas que são problemas de natureza própria do homem.
O que ele deveria fazer
era convidar os evangélicos a se aproximarem mais de Deus e também estudarem
mais as escrituras e procurar olhar para dentro de si mesmo que é onde está o
Deus vivo, pois só ele é quem pode liberta-lo dessa prisão. Nicodemus é quem
tem que mudar a sua mentalidade, pois claramente ele é quem está ligado aos
católicos.